Síndrome de Pica, você já ouviu falar?

Seu gatinho tem o hábito de comer objetos não comestíveis? Isso se chama Síndrome de Pica. A pica é definida como o desejo constante e compulsivo de ingerir itens não comestíveis por um período superior a 30 dias. Os objetos mais comumente ingeridos são plástico, tecido, lã, elásticos de cabelo, fios e até mesmo pêlos (dermatite psicogênica).  Pode ter origem devido a deficiência nutricional (diminuição dos níveis de ferro, distúrbios metabólicos, dietas extremamente restritivas), patológica (por exemplo: hipertiroidismo e quadros anêmicos decorrentes de FIV, FeLV, Mycoplasma) , mas na grande maioria das vezes está associada ao stress (desmame precoce, mudanças na rotina, ambiente restritivo, introdução de um novo animal, perda do tutor, grandes períodos sozinho, pouca interação com o tutor, entre outros). Em um estudo nos Estados Unidos observou-se maior predisposição dos gatos siameses e mestiços de siameses.

A Síndrome de Pica é grave, pois os objetos podem causar obstrução intestinal, sendo necessária cirurgia de emergência, pois pode levar o gatinho a óbito. Por isso é importante tratar.

O primeiro passo, é eliminar as causas nutricionais e patológicas, para tentar identificar o que desencadeia o comportamento. Considerando-se a situação de stress, muitas vezes não conseguimos identificar o gatilho, mas existem algumas maneiras de enriquecimento que podem ajudar muito. Não só o enriquecimento ambiental, mas também, o cognitivo, alimentar, além da interação do tutor com o gatinho, e mesmo assim, na maioria dos casos, a terapia medicamentosa é necessária.

Vários fatores devem ser considerados e corrigidos quando preciso. Estimular outros comportamentos alimentares, com variedades de texturas de alimentos, verticalizar o ambiente, momentos de interação e brincadeiras, são essenciais. E associado a tudo isso, a terapia medicamentosa se faz necessária em muitos casos. Cada caso, deve ser tratado individualmente, com acompanhamento veterinário (imprescindível), pois é um tratamento longo, e exige comprometimento do proprietário.

                        

vamos falar sobre eutanasia…

Sei que muita gente nem vai ler, por causa do título… mas acho que vale uma reflexão sobre o assunto.

A eutanásia é um processo totalmente indolor, e permitida em alguns países da Europa para humanos. É realizada uma anestesia muito profunda, o animal entra num coma induzido, e após, é aplicada a medicação que causa a parada cardio-respiratória.

Quando decidir? será que é o momento certo?… Com certeza a decisão mais difícil de uma vida inteira. Sim, infelizmente, já passei por isso, e mesmo, ou mais ainda, por ser vet, a decisão é mais difícil. Difícil escolher entre viver e morrer. Diante de tratamentos que não dão mais resultados, e o seu filho felino morrendo aos seus olhos… é muito triste… é muito doloroso, é um aperto no peito indescritível… uma tristeza profunda, que só quem já passou por isso sabe… como saber, se é a hora certa? como saber se é melhor abreviar esse sofrimento… e todas as escolhas que presenciei/participei, sim, foram no momento certo. Eles não merecem sofrer, e tem uma passagem breve por este mundo, porque já nascem sabendo algo que levamos a vida toda para aprender: amar, o amor verdadeiro, sincero.

Acho que depois dessa difícil decisão, devemos pensar em todos os ensinamentos que nossos filhos nos trouxeram, de varias formas. Desde um simples carinho num dia triste, até mostrar nossa verdadeira força interior, nosso amor mais verdadeiro e profundo, a compaixão, o respeito pelo próximo, até mesmo por especies diferentes. Eles são seres muitos especiais e iluminados e por isso sua passagem por esse mundo é breve. Eles vem para nos ensinar, acima de tudo a amar <3

Um dos meus filhos mais especiais, foi o Juanito, uma gatinho lindo, que só aparecia ao ouvir minha voz. Ficou meses morando numa gaveta do guarda roupa, só aparecia ( e conversava muito!) quando ouvia minha voz. Pedia carinho, respondia tudo que eu falava com ele, e era só comigo! Até que um dia, adoeceu, e a doença se agravou… mesmo com as medicações. Até que, um pouco antes de sua partida (decisão pela eutanásia, devido a piora do quadro, sem chance de melhora), ele apareceu para mim, mostrando que sua missão havia terminado, ele conseguiu me fazer enxergar a minha força interior, que eu nunca tinha sentido, percebido. Ele foi muito especial, em sua breve passagem ao meu lado… tinha apenas 8 aninhos. Mas quando o encontrei nesse momento, senti meu coração “em paz”, e senti que era o momento de deixa-lo partir,,, foi muito triste e difícil, mesmo assim… E depois o eternizei em minha pele, além da mente e coração. Eles estarão sempre conosco, sempre em todos os nossos pensamentos, e sempre cuidando de nós, sendo a estrelinha mais brilhante do céu.

“Aqueles que passam por nós,

Nunca vão sós,

Deixam um pedaço de si,

Levam um pedaço de nós”

Frase do Pequeno Príncipe

 

 

Os gatos e as bolas de pelo

Os gatos realizam duas trocas de pêlo por ano, a pelagem do verão e a pelagem do inverno (mais densa). Nessas épocas, em especial, acabam ingerindo mais pêlo, os quais podem se acumular no estomago ou intestino, causando sintomas. O sintoma principal é o vômito, podendo ocorrer também inapetência, letargia e prostração. Alguns gatos podem até ter gastrite devido a esse excesso de pêlos ingeridos. Outros, que cuidam e higienizam seus contactantes, também são mais propensos a ter problemas.

Nem sempre encontramos pêlos no vômito, muitas vezes, a aparência é apenas liquida, variando de clara/espumosa, amarelada, e até ração (digerida ou não). É sempre importante investigar a causa do vômito, pois existem inúmeras patologias com esse mesmo sinal clinico.

O pêlo ingerido, pode se impactar no estomago, causando a ânsia ou até mesmo os vômitos. Podem ser únicos ou vários seguidos. Isso gera uma irritação/inflamação local na garganta e o animal fica mais apático, diminui a ingestão de alimentos, por isso, é necessário investigar a causa. Outra possibilidade que ocorre, é a impactação dos pêlos no intestino, causando um fecaloma. Esse caso é mais grave, e muitas vezes além das lavagens, é necessário tratamento cirúrgico.

Existem alguns produtos, suplementos, rações e petiscos para esse quadro. O uso e frequência variam de acordo com cada caso, por isso, a avaliação de um veterinário especializado em felinos, é essencial.

O controle é muito eficaz, e a resolução do quadro também.

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Viagens: hotelzinho ou catsitter?

Quando vamos viajar, sempre fica a preocupação: meu gatinho ficaria melhor num hotel ou em casa?

Devemos considerar o comportamento do gato, esse é o ponto principal. Se o gatinho gosta de estar com pessoas, não é assustado, e sente muita falta do contato com humanos, o hotelzinho deve ser considerado. Mas, como  a maioria dos gatos não gosta de sair de casa, e já tem uma rotina estabelecida em casa, melhor contratar uma cat sitter. A cat sitter vai até sua casa, passa 1 hora em média, brincando, dando carinho, além de cuidar dos potes de água e ração e caixa de areia. Existem profissionais muito qualificados para realizar esse tipo de serviço. A cat sitter estará atenta a mudanças de comportamento, diminuição da alimentação ou ingestão de água, e frequência de uso da caixa de areia, atividade do felino (como nas brincadeiras, por exemplo), entre outras coisas. Cuide bem do seu gatinho <3

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Stress e os felinos

Os gatos são seres muito sistemáticos, metódicos, e gostam de ter uma rotina estabelecida. São animais muito sensíveis a mudanças, por isso devemos dar muita atenção a qualquer alteração na rotina deles. Uma visita, uma viagem, estar menos tempo em casa, chegada de um bebê, transporte, mudança dos móveis, mudança de casa, introdução de um novo animal, relacionamento entre os felinos da casa, vacinação, castração, etc… tudo isso pode gerar uma reação de stress no gato e ter consequências. Em situações de stress, os gatos inflamam, e alguns órgãos são mais comumente acometidos. Existem vários níveis de inflamação, uns mais graves outros menos, mas ambos devem ser tratados. Alguns exemplos são dermatite psicogênica, doença inflamatória intestinal, colangites/colangiohepatites, além de doenças latentes que podem vir a tona, ou quadros já existentes podem piorar, por isso é sempre importante ficar atento aos hábitos dos felinos. Um quadro renal pode ter piora, uma alteração inflamatória pode se instalar, e aí haverá necessidade de medicação ou complementação/ mudança no tratamento que vem sendo realizado em quadros crônicos. O stress também causa queda na imunidade, e doenças virais (Virus da Leucemia Felina, Virus da Imunodeficiência Felina e Coronavirus) que estavam controladas ou latentes, podem se manifestar por conta disso. É importante tentar identificar o fator de stress, para tentar cessá-lo, ou minimizá-lo dentro do possível.  Ao menor sinal de alteração comportamental, ou nos hábitos rotineiros do felino, o veterinário de confiança deve ser consultado.

Dom Pepe Baby Rupaul Alexandre e Vinicius Zé Pequeno